Arraiá da Feira

Montepio dos Artistas Feirenses: uma grata iniciativa do Padre Ovídio

Imaginemos a cidade 150 anos antes e não será difícil também imaginarmos as diferenças estampadas na sociedade, então ainda enraizada no ruralismo, mas buscando se desenfrear do aspecto campestre e ganhar o sentido urbano necessário. Com uma população estimada em 15 mil habitantes, Feira de Santana era como um jovem imberbe, que tenta encontrar pelos no rosto e assim dizer que é adulto. A cidade lutava pelo crescimento, mas eram muitas as necessidades. Uma delas, de aspecto social, dizia respeito à assistência às pessoas de menor poder aquisitivo, ou, de forma mais clara: a população pobre, que não contava com qualquer forma de apoio e era exatamente a grande maioria.

Foi com o objetivo de preencher esse imenso fosso social que surgiu a Sociedade Montepio dos Artistas Feirenses, no dia 8 de outubro de 1876, graças ao idealismo do padre Ovídio Alves de São Boaventura, um feirense de extremo amor por sua terra e seus conterrâneos, em especial os mais pobres e desafortunados. A instituição, que de forma contributiva retribuía financeiramente no caso de doença e invalidez, e garantia pensão para a família em caso de morte do titular, foi de enorme importância para a comunidade. A associação da entidade com os artistas de hoje — cantores, músicos, atores — é apenas aparente, já que como artistas eram classificadas aquelas pessoas que tinham atividades artesanais ou manuais, como pedreiros, sapateiros, alfaiates, marceneiros, pintores de parede e outros. Esses profissionais, quando alcançavam alto grau de capacidade, eram chamados respeitosamente de mestres da arte.

Foi norma da entidade a manutenção de uma escola primária gratuita para filhos de operários, associados ou não, como também incentivar associados menores a aprender um ofício ou arte, além de oferecer amparo e seguridade social extensivos à família. Pode-se dizer mesmo que, no item seguridade social, a Sociedade Montepio foi pioneira no município, com enorme relevância, até o surgimento de programas oficiais encetados pelos governos. A escola primária fundada pelo padre Ovídio de São Boaventura através do Montepio teve papel fundamental na formação de jovens no município e, só após o surgimento das escolas Maria Quitéria e João Florêncio, construídas na gestão do intendente Agostinho Froes da Mota (2015/2020), que absorveram o alunado, ela deixou de funcionar.

Mesmo já não desenvolvendo suas funções precípuas, por já não ser necessário, a sede do Montepio, na Rua Conselheiro Franco (Rua Direita), foi útil à cidade durante muito tempo. Ali funcionaram o Centro das Indústrias de Feira de Santana (CIFS), a Associação Comercial de Feira, a sucursal do Jornal da Bahia, o CEDEC (hoje SEBRAE), órgão estadual, e a Biblioteca Espírita Joana de Angelis. O centenário prédio da Sociedade Montepio dos Artistas Feirenses, que tanto serviu à comunidade, na Rua Conselheiro Franco, hoje sem utilidade, parece observar, silente, os que por ali passam, sem jamais imaginar a sua história e importância para essa metrópole que ele viu crescer.

Por Zadir Marques Porto

Fonte: Prefeitura de Feira de Santana

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