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Médicos trabalhavam nesta segunda-feira para retirar duas pessoas com sintomas do hantavírus, após suspeita de surto em um navio de cruzeiro de luxo mantido ao largo da África Ocidental, que transportava principalmente passageiros britânicos, norte-americanos e espanhóis, disseram autoridades.
Cerca de 150 pessoas ainda estavam presas no navio após três pessoas — um casal holandês e um cidadão alemão — morrerem e outras ficarem doentes, incluindo um britânico que deixou o navio para tratamento na África do Sul, acrescentaram as autoridades.
O Instituto Nacional de Saúde Pública e Meio Ambiente da Holanda (RIVM), que está ajudando com o surto, disse que o hantavírus foi confirmado em um dos pacientes que apresentava sintomas.
Uma fonte informada sobre o assunto relatou que a mulher holandesa que morreu também testou positivo para o vírus.
O RIVM disse que ainda não estava claro se as outras pessoas com sintomas estavam contaminadas ou se as outras mortes também foram causadas pelo vírus.
Transmitido principalmente por roedores, por meio de partículas de fezes ou urina dos animais transportadas pelo ar, pode causar uma síndrome respiratória grave e potencialmente fatal em humanos.
Não há medicamentos específicos para tratar a doença. O tratamento se concentra em cuidados de suporte, incluindo a intubação, em casos graves.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que o risco para o público em geral é baixo e não há necessidade de pânico ou restrições de viagem. Mas as autoridades da ilha de Cabo Verde avisaram que, por precaução, não permitiram que o MV Hondius atracasse.
“Não somos apenas manchetes: somos pessoas com famílias, com vidas, com pessoas esperando por nós em casa”, disse Jake Rosmarin, um blogueiro de viagens dos EUA, em um vídeo choroso postado no Instagram nesta segunda-feira.
“Há muita incerteza e essa é a parte mais difícil”, acrescentou Rosmarin, que está no navio.
Um porta-voz da Oceanwide Expeditions, operadora do navio com sede na Holanda, disse que, por precaução, todos os passageiros foram instruídos a permanecer dentro de suas cabines para evitar qualquer possível disseminação do vírus. Embora a transmissão de pessoa para pessoa seja rara, o período de incubação pode durar várias semanas, o que significa que algumas pessoas podem ainda não estar apresentando sintomas.
A Oceanwide Expeditions estava tentando providenciar a repatriação de dois membros da tripulação com sintomas da doença — um britânico e um holandês — juntamente com o corpo do cidadão alemão e um “convidado intimamente associado ao falecido” que não apresenta sintomas.
A empresa disse que estava verificando se os passageiros poderiam ser examinados e desembarcados nas ilhas de Las Palmas e Tenerife.
Autoridades espanholas disseram que ainda não haviam recebido uma solicitação para que o navio atracasse e desembarcasse passageiros no local. O Ministério das Relações Exteriores da Holanda, que, segundo a Oceanwide Expeditions, seria o responsável pela solicitação, não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
O Hondius partiu em março de Ushuaia, no sul da Argentina, de acordo com a documentação da empresa, em uma viagem comercializada como uma expedição à natureza Antártida, com preços de atracação variando de 14.000 a 22.000 euros (US$16.000 a US$25.000).
O navio passou pela Antártida continental, Falklands, Geórgia do Sul, Ilha Nightingale, Tristão, Santa Helena e Ascensão antes de chegar às águas de Cabo Verde em 3 de maio.
O Departamento de Saúde da África do Sul confirmou que dois dos mortos eram holandeses: um homem de 70 anos, que morreu em Santa Helena em 11 de abril, e sua esposa, de 69 anos, que morreu na África do Sul após sofrer um colapso no Aeroporto Internacional O.R. Tambo.
O britânico que estava sendo tratado em uma clínica particular em Johanesburgo adoeceu em 27 de abril, enquanto a vítima alemã que estava no navio morreu em 2 de maio, informou a Oceanwide Expeditions.
O hantavírus geralmente começa com sintomas semelhantes aos da gripe, como fadiga e febre, de uma a oito semanas após a exposição ao vírus.
Um porta-voz do RIVM disse que a origem do surto não estava clara.
“Pode-se imaginar, por exemplo, que os ratos a bordo do navio tenham transmitido o vírus”, disse ele.
“Mas outra possibilidade é que, durante uma parada em algum lugar da América do Sul, as pessoas tenham sido infectadas, por exemplo, por meio de ratos, e tenham adoecido dessa forma.”
Daniel Bausch, professor visitante do Instituto de Pós-Graduação de Genebra, na Suíça, disse que havia alguma evidência de transmissão entre humanos no vírus dos Andes, uma espécie de hantavírus encontrada na Argentina e no Chile.
“Portanto, é significativo que esse navio de cruzeiro tenha iniciado sua viagem na Argentina”, afirmou.
“A boa notícia é que… esse não será um grande surto”, acrescentou.
* Reportagem de Olivia Le Poidevin em Genebra, Toby Sterling, Anthony Deutsch, Stephanie van den Berg, Charlotte Van Campenhout em Amsterdã, Olivia Kumwenda em Johanesburgo, reportagem adicional de David Latone em Madri
Fonte: Agência Brasil




